
Na manhã desta segunda-feira, 18, a deputada federal Alice Portugal (PCdoB/BA) esteve na sede da Polícia Civil da Bahia para tratar da morte da ativista ambiental Rosane Santiago Silveira, que foi torturada e assassinada no dia 29 de janeiro, na cidade de Nova Viçosa, que fica no sul do estado. Participaram da reunião Dr. Bernadino Brito, delegado chefe da Polícia Civil, Flavio Góes, diretor do DEPIN – Departamento de Polícia do Interior, Tuian Cerqueira, filho da ativista e Tereza Deiró, advogada. A reunião foi solicitada pela parlamentar.
“Nós viemos aqui pedir que essa investigação seja aprofundada. As evidências são muito fortes de que há uma relação da atuação dela com o crime. Uma ativista torturada, em pleno exercício de sua atividade. A Bahia talvez, desses estados que têm reserva, seja um o que menos temos esse tipo de ocorrência”, afirmou Alice.
A ativista foi encontrada morta dentro de casa, com pés e mãos atados e feridos, pano em volta do pescoço (indicando estrangulamento), duas perfurações por arma branca (possivelmente faca) e uma perfuração por arma de fogo na cabeça (possivelmente por trás). Inicialmente, o caso foi tratado como suposto latrocínio, embora objetos de valor, entre eles o notebook da vítima, não tenham sido levados, e dos claros indícios de tortura.
O filho da ativista afirma que a preocupação da família era que houvesse uma desqualificação do crime. “Minha mãe se dedicou os últimos anos da sua vida à causa daquela região. Dizer que não houve qualquer motivação política por conta dessa militância seria uma derrota para nós da família e também para todas as pessoas que se empenham neste tipo de causa. Então, houve esse alento no sentido de que a polícia reconhece a partir dos indícios que se tem que a motivação foi por causa da militância ambiental”, ressaltou Tuian.
O diretor do DEPIN afirmou que será implementada uma equipe especial para dar suporte à delegacia de Nova Viçosa. “Estamos designando uma nova perícia no local da morte. A polícia já tem a clareza de que a vítima foi brutalmente assassinada em retaliação à sua atividade e militância ambiental”, disse Flavio Góes.
Na Câmara dos Deputados, Alice já havia se manifestado e cobrado celeridade e dedicação nas investigações desse bárbaro crime que tirou a vida de uma mulher lutadora, com vasto histórico de serviços prestados à comunidade.