A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados realizou nesta quinta-feira (17/10) importante debate sobre o aumento do número de desempregados no Brasil e os ataques do atual governo ao órgão responsável em aferir a taxa de desemprego no país: o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Proponente da audiência pública, a deputada Alice Portugal (PCdoB/BA) destacou a importância de fortalecer o instituto, mostrando-se preocupada com o Censo Brasil 2020, que teve corte de 25% no orçamento.

“Com 2.200 pesquisadores, nós não vamos conseguir ter o Censo Brasil 2020 com o necessário primor técnico para termos o retrato do Brasil. Um país que não conhece seu presente, não conseguirá planejar o seu futuro. Essa audiência foi muito ilustrativa e precisaremos continuar debatendo como proteger o IBGE para que dialogue com os órgãos internacionais e possa oferecer os dados reais aos institutos de pesquisas, ao Legislativo, pois somos usuários dos dados. Proteger este instituto é garantir que o Brasil se conheça melhor”, disse Alice.

Presente na audiência, Clóvis Scherer, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), apontou dados preocupantes do desemprego e afirmou que o departamento defende a manutenção da metodologia utilizada pelo IBGE. “O Brasil tem mais de 12 milhões de desempregados e estamos longe de uma recuperação significativa no país. A promessa da Reforma Trabalhista de gerar emprego não se cumpriu. O governo precisa criar políticas públicas para garantir a geração de emprego e renda”, afirmou.

Cimar Azeredo, diretor do IBGE, destacou que o instituto segue as recomendações dos organismos internacionais, em especial a Organização Internacional do Trabalho (OIT), com o intuito de garantir a comparabilidade com outros países. Ele afirmou que a taxa de desemprego caiu no país, mas que hoje mais de 37 milhões de brasileiros trabalham na informalidade.

Representante do Ministério da Economia, Matheus Stivali também falou do aumento da informalidade no Brasil, alegando que o trabalho informal é normal para cenários de recuperação de crises. Ele reconheceu que a recuperação do país deveria estar mais rápida.

Hélio Gherardi, membro do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), alertou para a crescente desigualdade social no Brasil que é decorrente do aumento do desemprego. “Antes, discutíamos níveis de emprego no país, hoje discutimos taxas de desemprego. Desde que assumiu, o governo atendeu ao pedido das empresas e não entendeu que se o trabalhador não receber salários dignos, não irá poder comprar e consequentemente a indústria e o comércio vão reduzindo sensivelmente. A Reforma Trabalhista contribuiu com este atual cenário”, destacou.

Ao final da audiência, a presidente da Comissão de Trabalho, deputada Professora Marcivânia, afirmou que o tema tratado é de fundamental importância e se comprometeu em ampliar o debate no Colegiado.

 

 

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