Segundo alegam os governos estaduais, sobretudo os tucanos Aécio Neves (MG), José Serra (SP) e Yeda Crusius (RS), com os benefícios já conquistados pelos professores, os salários ultrapassariam muito o valor do piso e culminariam no descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, que impõe limites para Estados e municípios em despesas com folha de pagamento.
Mas no STF, este argumento não convenceu e a maioria dos magistrados se mostrou favorável ao patamar mínimo de R$ 950 para os docentes.
Alice Portugal, que foi uma das principais defensoras do Piso Salarial Nacional dos Professores e autora, ao lado dos deputados Carlos Abicalil, Fátima Bezerra e Severiano Alves, da proposta aprovada pela Câmara dos Deputados, comemorou a decisão do STF que manteve o pagamento, de forma progressiva, do piso salarial de R$ 950,00 com carga horária de 40 horas semanais. Ela lamentou que os magistrados tenham derrubado parte da lei que obrigava que 1/3 da carga horária dos professores fosse destinado a atividades que não envolvam inteiração com os alunos, como planejamento de aulas, elaboração e correção de provas.
Para a deputada do PCdoB, na prática, a decisão do STF, embora mantenha o piso de R$ 950,00 e sua progressividade, por outro lado aumenta a carga horária de trabalho dos professores que terão de cumprir a carga horária de 40 horas semanais na sala de aula e ainda trabalhar duro para pesquisar, planejar aulas, corrigir provas etc.
Alice saudou o parecer do Ministro Joaquim Barbosa contrário à limitação do piso e de sua progressividade e manifestou sua esperança de que o STF, ao julgar o mérito da ADIN, considere a integralidade da lei do piso salarial aprovada PR unanimidade na Câmara e no Senado atendendo uma reivindicação de 200 anos dos professores brasileiros.