Ao ingressar no STF contra a lei esses governadores mostram que não têm nenhuma preocupação com a qualidade do ensino e com a valorização dos profissionais do magistério público, afirmou a deputada Alice Portugal, que é autora, ao lado dos deputados Severiano Alves, Fátima Bezerra e Carlos Abicalil, do projeto de lei que instituiu o Piso Salarial Nacional para os Profissionais da Educação Básica.

A CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), em resposta a Adin dos governadores, também ingressou com uma outra ação no STF, nesta mesma quarta, para garantir a implementação do piso. A Lei 11.738, de julho deste ano, fixou o piso salarial nacional de R$ 950,00 para os professores da rede pública. A mesma lei diminuiu o número de horas que a categoria passa dentro da sala de aula e aumentou o tempo para atividades extraclasse – como qualificação profissional, correção de provas e preparação de material.Os principais opositores da nova lei são os governadores José Serra (PSDB/SP) e Yeda Crussius (PSDB/RS), que alegam que seus estadonão têm como contratar mais professores para substituir aqueles que estiverem em atividades extra-classe. Em São Paulo, o governador José Serra chegou ao cúmulo de determinar que o intervalo entre as aulas seja contado como atividade extra-classe e deduzido dos 33% previstos na lei para que o professor possa elaborar sua aula, corrigir provas etc.Para a deputada Alice Portugal, a iniciativa dos governadores de contestar judicialmente a lei que instituiu o piso salarial demonstra claramente uma falta de compromisso com a educação pública e um desprezo para com o magistério.