Deputados ocupam Mesa Diretora pedindo o impeachment de Temer – Fotos Richard Silva
 
 
 
Enquanto 150 mil manifestantes eram reprimidos na Esplanada, a base governista insistia em votar propostas de interesse do Palácio do Planalto na Câmara dos Deputados para aparentar normalidade no país. Como se não bastasse isso, o presidente golpista Michel Temer pediu a intervenção das Forças Armadas, instalando um Estado de sítio. Em protesto, a Oposição se retirou do Plenário da Casa que seguiu votações.
 
Na direção do Congresso Nacional, milhares de pessoas caminharam defendendo a democracia e as ‘Diretas Já’. Exigiram ainda a saída imediata de Temer da Presidência da República. Sob o sol forte do Planalto Central, parlamentares, líderes sindicais e movimentos estudantis lutaram nas ruas contra as reformas da previdência e trabalhista.
 
“Temer assumiu o Palácio do Planalto pela via golpista para prejudicar os trabalhadores do Brasil, os mais pobres. Este governo está entregando o país ao capital internacional, desmontando a Petrobras. Não queremos este governo sem legitimidade. Voltamos à campanha das ‘Diretas Já’”, disparou Davidson Magalhães (PCdoB-BA).  
 
Depois da grande greve nacional ocorrida em 28 de abril, o dia 24 de maio de 2017 entra para a história do país como um novo momento de resistência da população aos desmandos de um governo ilegítimo. Observando a multidão do alto do carro de som, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) defendeu a devolução da escolha do representante ao povo. "A soberania do voto popular deve prevalecer. Aqui estão reunidas todas as frentes, partidos e centrais sindicais, numa demonstração clara de que a democracia precisa voltar a este país.”
 
Parte da classe artística declarou seu apoio aos milhares de brasileiros que ocuparam Brasília. O ator Osmar Prado pediu a “suspensão imediata das reformas trabalhista e previdenciária” e a convocação de eleições diretas. “Represento aqui setores da classe artística progressista. Estou defendendo o Estado Democrático de Direito”, salientou Osmar.
 
Quando a marcha se aproximou do Ministério da Justiça foi possível ouvir e ver as bombas de gás cruzando o ar. Entre as bandeiras dos movimentos sociais, a Polícia Militar do Distrito Federal lançou spray de pimenta contra o ato.
 
Na Esplanada, aproximadamente 40 mascarados infiltrados entre os manifestantes partiram para cima das grades com paus e pedras contra a PMDF, acirrando o confronto. Até então, todos seguiam de forma pacífica para o Congresso.
 
Com dificuldade para falar, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, Guilherme Boulos, disse que partiu dos agentes de segurança a “provocação”. “É lamentável! Os verdadeiros provocadores estão fardados. Depois, quando tem problema, querem jogar no nosso colo”, afirmou.
 
Diante do descontrole da polícia nas ruas e da incitação de um “grupelho” ao confronto, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) fez um apelo para que tirassem as máscaras e cessassem as intimidações. “A manifestação está pacífica. Não aceitamos violência e nem aceitamos intromissão. Mascarados, mostrem seus rostos. Aqui tem trabalhadores, gente do bem. Esta luta é contra o golpe”, disse a senadora tentando evitar atos de violência.   
 
No final da tarde, o ministro da Defesa, Raul Jungmann solicitou a presença do Exército em toda a área que é de Segurança Nacional. "O senhor presidente (Michel Temer) decretou, por solicitação do senhor presidente da Câmara, a ação de garantia da lei e da ordem. Nesse instante, tropas federais se encontram neste palácio [do Planalto], no Palácio do Itamaraty e logo mais estarão chegando tropas para assegurar que os prédios dos ministérios sejam mantidos incólumes", anunciou em nota o ministro.
 
Temer se valeu disso para colocar Forças Armadas na rua até o dia 30 de maio. Na verdade, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediu a presença da Força Nacional para proteger o Parlamento.
 
Antes de deixarem o Plenário, parlamentares do PCdoB, PT, PSol, Rede e PDT pediram a anulação do decreto presidencial. Líder do PCdoB na Câmara, a deputada Alice Portugal (BA), denunciou a “ditadura” de Temer. “O que ocorreu hoje entra para história. Nem na ditadura o Congresso foi cercado. Este decreto é inconstitucional. Não podemos admitir Estado de sítio por uma semana. O Supremo e o Senado cancelaram sessões. A Câmara tem de fazer o mesmo”, afirmou. 
 
Oposição paralisa Plenário da Câmara
 
Com cartazes e palavras de ordem, parlamentares oposicionistas chegaram a impedir que votações da base governista avançassem durante a tarde. A repressão violenta de manifestantes no Eixo Monumental e a possibilidade de intervenção militar elevou a tensão em Plenário.
 
Líderes e parlamentares de partidos da Oposição ocuparam a Mesa Diretora da Câmara para pressionar pela saída imediata de Temer. Aos gritos de ‘Fora Temer’ e ‘Diretas Já’, tentavam impedir que a sessão prosseguisse. A informação de que Temer acionou por decreto as Forças Armadas acirrou os ânimos. Os trabalhos tiveram de ser paralisados por Maia, que convocou colégio de líderes para discutir o impasse.
 
Alice Portugal cobrou o encerramento imediato da sessão por meio da aprovação de requerimento regimental apresentado. “Temos de encerrar a sessão, porque o clima que hoje fomos submetidos é antagônico às liberdades democráticas e à livre manifestação. A grande massa não se insurgiu contra a polícia, mas há feridos lá fora. Esta sessão não tem condições de persistir”, destacou.
 
Os protestos começaram após governistas tentarem intimidar deputados que denunciavam, em Plenário, o uso de gás de pimenta e bombas de efeito moral contra a mobilização pacífica do lado de fora do Congresso. Cápsulas de artefatos arremessados contra manifestantes foram mostradas pelos oposicionistas.
 
Na manhã de quinta-feira (25), após intensa polêmica em torno do decreto que autorizava a permanência das Forças Armadas nas ruas por sete dias, uma nova ordem revogou a decisão anterior. No texto, publicado em edição do Diário Oficial da União, o presidente ilegitímo aforma que, "considerando a cessação dos atos de depredação e violência e o consequente restabelecimento da Lei e da Ordem no Distrito Federal, em especial na Esplanada dos Ministérios", ele decidiu retirar os militares das ruas de Brasília.
 
 
 
 
 
Texto: PCdoB na Câmara