Lei a íntegra do discurso:

Há uma semana a Bahia perdeu o grande jornalista, Jorge Lindsay. Ele foi professor de teatro em várias escolas públicas da cidade e passou a ser um repórter investigativo de grande qualidade, especialmente do jornal A Tarde, onde passou pelas áreas cultural e polícia.

Nosso querido Jorge Lindsay, em conseqüência de um mal súbito, nos deixou de maneira abrupta. Ele era um cidadão muito generoso com os amigos e com a justiça social. Foi por meio dele tive em mãos uma das causas mais sérias com relação à violência contra a mulher. Uma menina estuprada com requintes de crueldade no Município de Pedro Alexandre, onde os capangas, mandados possivelmente por alguém a quem ela se recusou, deixaram-na despida e com pedras e areia nos órgãos genitais. Essa moça vive clandestinamente e proibida da sua liberdade, tem outro nome e é protegida pelo sistema de proteção às vítimas de violência. E os criminosos estão impunes circulando com motos novas no Município de Pedro Alexandre. Até hoje a Justiça não deu cabo da situação.

Por isso, esta campanha dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres não é um discurso apenas.

A menina violentada numa cela no Estado do Pará é apenas mais uma desse conjunto de mulheres que no Brasil calam-se por medo ou rebelam-se, levando a violência a público mas, lamentavelmente, não têm o abraço necessário da Justiça e do Estado. É isso que queremos ao fazer cumprir a Lei Maria da Penha e é no bojo desta campanha que reverencio a memória do jornalista Jorge Lindsay, que foi inegavelmente um importante aliado desta causa justa.