Segundo Alice, a reportagem estigmatiza a UFRB por estar numa região pouco habitada. No entanto, se esse critério fosse legítimo, as universidades de Viçosa e de Lavras, em Minas Gerais, não existiriam, visto que os dois municípios apresentavam população semelhante à de Cruz das Almas quando as universidades foram fundadas.
Além disso, Alice afirmou que a UFRB possui centros de ensino em outras quatro cidades, informação que não constava na reportagem. "A reportagem de Veja demonstra, além de má fé, preconceito e desconhecimento demográfico e histórico", protestou a deputada. "O propósito é vender a idéia de que ensino superior de qualidade só será possível com a cobrança de mensalidades nas universidades públicas", declarou.
*A matéria publicada encontra-se no site http://veja.abril.com.br.
Leia, na íntegra, o discurso da deputada Alice Portugal:
Venho a esta tribuna para manifestar minha solidariedade à direção e aos professores, funcionários e estudantes da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, vítimas de uma insidiosa reportagem da última revista Veja, que omite informações, distorce números e manipula dados bem ao feitio da publicação dos Civita quando se trata de criticar ações do governo do presidente Lula.
A matéria de Veja, assinada pela jornalista Roberta de Abreu Lima e com reportagem do jornalista João Figueiredo, foi encomendada para justificar o vaticínio do articulista da revista, Claudio de Moura Castro, segundo o qual "criar novas universidades públicas é reproduzir um sistema de ensino ineficiente, que envolve altos gastos e baixa produtividade". E para defender que o Estado, ao contrário de criar universidades públicas e gratuitas, compre as vagas ociosas das universidades e faculdades privadas e as ofereça através do ProUni a estudantes carentes.
O outro objetivo da revista é lançado na matéria de forma aleatória, como se fosse um mero registro, e diz que “a experiência internacional enfatiza ainda a relevância de trazer ao debate outra mudança no ensino superior brasileiro, esta radical: cobrar mensalidade em universidades públicas daqueles que podem pagar”. Esta é receita de outro colaborador de Veja, o economista Gustavo Ioschpe, para quem a cobrança de mensalidades "foi o que tornou financeiramente viável a existência de universidades que primam pela excelência nos países mais desenvolvidos".
Na tentativa de estigmatizar a UFRB como um elefante branco edificado em uma região pouco habitada, a reportagem de Veja demonstra, além de má fé, preconceito e desconhecimento demográfico e histórico. Ao criticar o fato da sede da UFRB ser em Cruz das Almas e destacar que a cidade tem 57 mil habitantes, a matéria de Veja parte do ridículo raciocínio de que a demanda de uma universidade é aquela estabelecida pelo município de sua sede.
Fosse este o critério, as universidades federais de Viçosa e de Lavras, em Minas Gerais, jamais teriam sido criadas pois o número de habitantes de ambas à época da instalação de suas universidades eram semelhantes ao de Cruz das Almas.
Os jornalistas e os editores de Veja sabem mas omitiram de sua matéria a informação de que a UFRB é multicampi e possui centros de ensino em quatro cidades do Recôncavo da Bahia: Amargosa, Cachoeira, Cruz das Almas e Santo Antônio de Jesus, além de unidade em São Félix.
Também não é verdade que a UFRB recebeu nota 1 na avaliação feita pelo MEC em 2007. Em nota a reitoria da UFRB informa que foi avaliada em 2007, apenas em um curso de graduação, herdado da UFBA, e que, após avaliações de outras variáveis o Índice Geral de Cursos (IGC) da instituição foi corrigido para 3 (três), em uma escala que vai de 0 a 5.
Na verdade, o propósito da matéria de Veja é, além de difamar instituições federais de ensino superior criadas pelo governo Lula, vender a idéia de que ensino superior de qualidade só será possível com a cobrança de mensalidades nas universidades públicas. Por esta razão, manifesto minha irrestrita solidariedade à comunidade universitária da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e meu apoio à política de expansão das universidades federais e dos centros federais de educação profissional e tecnológica acertadamente adotadas pelo governo Lula.