A Conferência foi marcada pelas homenagens aos 90 anos da Revolução Russa e aos 40 anos de morte de Che Guevara. O Presidente Nacional do Partido, Renato Rabelo, esteve presente no ato de abertura e nos dois dias, lideranças de várias forças políticas do Estado compareceram ao evento para saudar o PCdoB.

O governador Jacques Wagner (PT) reafirmou sua ligação com o partido, no qual realizou a sua primeira filiação política, e ressaltou a importância do PCdoB para o seu governo. "O PCdoB teve um papel fundamental ao ajudar a construir o novo projeto político do estado da Bahia", afirmou.

A deputada Alice Portugal aproveitou a oportunidade do encontro com as lideranças de todas as regiões do Estado e se dedicou a tratar dos pleitos apresentados ao mandato. Na Conferência, ela fez um discurso que empolgou a militância comunista, arrancando da platéia aplausos e palavras de ordem.

Leia abaixo a íntegra do pronunciamento:

Queridos camaradas, homens e mulheres, dos quatro cantos da Bahia, que tiveram a coragem e a determinação de erguerem a bandeira vermelha, assinarem a ficha de filiação do PCdoB, e virem para esse partido, o mais antigo partido político em atividade no Brasil. O nosso partido que nasceu e morreu diversas vezes, que teve muitos de seus líderes banidos, mortos e exilados, mas que tem, a partir da sua ideologia, da memória viva dos trabalhadores, a sua digital impressa na maioria das lutas deste povo, e ao lado dos movimentos sociais. Esse partido sobrevive com força e garra para garantir uma identidade própria, já firmada no Legislativo e agora, no Executivo, para fazer avançar a consciência do povo brasileiro.

Minhas saudações aos novos militantes, a todos que vieram de outras agremiações políticas ou dos movimentos sociais. Porque aqui é uma grande escola de política e, acima de tudo, uma escola de construção de consciência social.

O nosso partido tem muita clareza sobre este momento. Vivemos a mais importante quadra da história política deste país. Mas a democracia ainda é tênue. O governo Lula tem grandes acertos nos programas sociais. Tem erros relacionados ao desenho do Estado Nacional e com a política econômica. Mesmo assim, estamos com o governo Lula, reafirmando sempre a independência e a autonomia para a crítica.

Aqui na Bahia, ao derrotar o carlismo que infelicitou a nossa gente por 40 anos, fizemos a verdadeira revolução, a independência se refez, o 2 de julho se reergueu, estamos num governo também de aliança. E as alianças foram necessárias para a vitória. Mas não devemos nos iludir. É preciso ter clareza para não permitir a ascensão de uma nova elite de direita. Devemos garantir o apoio integral ao governo Wagner, mas com a clareza revolucionária de que precisamos fortalecer o núcleo mudancista, o setor de construção deste projeto que reagiu e sempre combateu a oligarquia carlista passando por todas as dificuldades.

As eleições de 2008 são eleições emblemáticas. Ainda não temos candidato à presidente da República. Mas temos acúmulo sobre o país que queremos. Partindo da vitória que já tivemos, vamos garantir novas vitórias.