Diante de um plenário lotado de parlamentares e representantes de entidades de defesa dos direitos da mulher, a deputada Alice Portugal iniciou sem pronunciamento cobrando punição para os assassinos e mandantes que tiraram a vida da deputada alagoana Ceci Cunha e que continuam impunes.Alice disse que o 8 de Março não apenas serve para ser um emblema das mulheres que foram queimadas na América do Norte. “O 8 de Março serve para levantarmos a bandeira da emancipação verdadeira da humanidade. Não é possível um país declarar-se emancipado se mais da metade dos seres humanos ainda estão submetidos a uma condição de cidadão de segunda categoria. Dessa forma é que as mulheres, que correspondem a dois terços dos pobres e a um terço dos analfabetos de todo o mundo, configuram nas estatísticas internacionais. No Brasil, apesar de todos os avanços do século 20, é bom lembrar o movimento social”, afirmou. A deputada, que é uma das coordenadoras da Bancada Feminina da Câmara, destacou que, apesar de poucas, as mulheres têm, de fato, feito seu dever no Congresso Nacional. “Temos uma legislação avançada, mas não existe o cumprimento de tais leis. Apenas 17 estados criaram as varas especiais para cumprir a Lei Maria da Penha. Ainda não se consegue tipificar o assédio como crime em muitos estados da Federação. É preciso garantir que, efetivamente, os partidos cumpram as quotas e que, na reforma política, votemos sanções para os partidos que não as cumprem”, cobrou a parlamentar.Ela destacou o fato de fazer parte de um partido, o PCdoB, de 87 anos, que tem 11 deputados, dos quais cinco mulheres, e acaba de ser indicar para liderar sua bancada uma líder mulher, a dDeputada Jô Moraes, o que é raro em partidos políticos na Câmara dos Deputados.Alice prosseguiu dizendo que “fazer do que é exceção à regra é o que nos faz levantar a bandeira e nos rebelar contra toda essa milenar opressão que nos colocou no rol das coisas privadas, mas que terá de ser vencida com a nossa luta para construirmos, com todo o povo brasileiro, dias em que homens e mulheres, lado a lado, elaborem espaços equânimes e oportunidades semelhantes, apesar das diferenças, para levantarmos cada vez mais a bandeira da emancipação, da igualdade, da liberdade e do fim de toda intolerância”.