Ao justificar sua proposta, a deputada afirmou que a Capoeira é uma territorialização da presença negra ao Brasil, às regiões diversas, embora haja uma certa polêmica entre estudiosos, admiradores e jogadores de Capoeira quanto à sua real origem. Alguns seguem a vertente que crê numa Capoeira de raízes estritamente africanas, outros crêem numa Capoeira estritamente brasileira – leia-se o seu nome de possível origem indígena, por linhagem lingüística Tupi: 'Caápuera' quer dizer 'mato que foi cortado', 'mato ralo'. Há, ainda, aqueles que são partidários de uma Capoeira de uma certa essência dupla, cuja constituição afinca-se na África e no Brasil, ou seja, poderá a arte de capoeirar ter inspiração africana na Dança das Zebras, mas o seu real desenvolvimento dá-se em território brasileiro.
O fato é que, mais africana ou mais indígena, a Capoeira era majoritariamente praticada por escravos negros para sua defesa pessoal em solo brasileiro, e, originalmente apresenta um caráter estrutural rigoroso, com hierarquias a serem respeitadas e historicidade. Além disto, embora tenha sofrido diversas alterações até os dias atuais, sobretudo a Capoeira e o Terreiro de Candomblé, onde muitos capoeiristas viam liberdade para exercer sua arte (a Capoeira é historicamente perseguida), fazem-se os grandes núcleos de resistência negra no Brasil, nos âmbitos de estrutura e de expansão.
A deputada ressaltou que a Bahia sempre foi uma referência histórica para a prática da Capoeira e que dali foram propagados os dois pilares da Capoeira internacionalmente conhecidos como Mestre Pastinha e Mestre Bimba. Deste modo, destacou a parlamentar, no século vinte, a Capoeira é retomada, enquanto oficial, em 1937, quando da admiração do presidente Getúlio Vargas por uma mostra da arte pelo Mestre Bimba. Estas duas referências baianas de Capoeira, Mestre Pastinha e Mestre Bimba, representam individualmente as formas de se capoeirar no Brasil: Capoeira Angola e Capoeira Regional, respectivamente, observou Alice.
Ao concluir, a deputada baiana afirmou que, diante da relevância dessa dança-luta-arte para a formação cultural do Brasil, nada mais justo do que comemorar esta data com uma sessão solene da Câmara dos Deputados, que deverá contar com as presenças dos maiores expoentes da capoeira de nosso país.
Ressalte-se que, desde que assumiu seu primeiro mandato de deputada federal, Alice Portugal tem se empenhado para que o Ministério da Cultura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional incluam a Capoeira no rol de bens imateriais tombados pelo Patrimônio Nacional.