Atualmente, a bancada é composta por 45 deputadas representando 11 partidos (PCdoB, PSB, PT, PMDB, PR, PSOL, PP, PDT, DEM, PSDB e PPS). Ao assumir a coordenação, a parlamentar conclamou as mulheres para manter a unidade e a determinação em defesa de propostas ousadas que corrijam as enormes desigualdades que perduram há séculos no Brasil.

“Tenho o compromisso de articular o trabalho da bancada feminina com amplitude, com respeito à pluralidade partidária, política e ideológica desta nossa bancada. Em nosso caso, a diferença nos fortalece. Somos sim, um mosaico de cores que vibra numa mesma direção: os direitos da mulher”, afirma Alice.

A deputada comunista acha que a discussão de gênero terá que transitar em todos os grandes temas em pauta, seja a crise econômica, a reforma política, as mudanças no Código Civil ou qualquer outro tema no qual se possa conquistar avanços. “Faremos isto articuladas com o movimento social, que nos ajudará a amplificar nossas poucas vozes para a sociedade e nos retro-alimentará do sentimento das ruas”, enfatiza a parlamentar.

Presenças

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que participou da solenidade de posse, propôs às parlamentares usar o texto constitucional como argumento de defesa das políticas de gênero. Ele lembrou que o constituinte de 1988 "teve o cuidado" de usar a expressão "homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações" em vez do termo genérico "todos são iguais".

Temer afirmou que as mulheres que atuam na política conseguem ''ter autoridade sem perder a leveza'', o que lhes confere uma capacidade de atuar de forma mais tranquila e legítima. E pediu que, além das políticas de gênero, as mulheres também trabalhem na divulgação do papel do legislativo, mostrando a importância do Parlamento para a democracia.

A ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), Nilcéa Freire, destacou a parceria da Secretaria com a bancada feminina nas conquistas das mulheres. Ela diz que existe uma expectativa muito grande em relação à nova coordenação. “ A deputada é muito ativa, dinâmica, extremamente vinculada a sua base social, que são os movimentos organizados de mulheres, então esperamos da deputada uma atuação muito importante. Elevando ainda mais o padrão combativo da Bancada Feminina”.

A Secretária Nacional de Mulher do PCdoB, Liege Rocha, presente ao evento, também defende o estreitamento da relação da bancada feminina com o movimento social e o movimento feminista. A dirigente disse que Alice, em sua trajetória, sempre esteve ao lado da luta pela emancipação das mulheres, da garantia dos seus direitos.

A deputada Sandra Rosado (PSB-RN), que deixou o cargo de coordenadora, fez um balanço das atividades de um ano à frente da bancada feminina, destacando os avanços conquistados com a ajuda do Presidente da Câmara.

Avanços

A coordenadora afirmou que a criação da Procuradoria Especial da Mulher, concebida pelo presidente Michel Temer, destinada a receber e encaminhar aos órgãos competentes as denúncias de violência e discriminação contra as mulheres, e a votação da PEC Nº 590/2006, da deputada Luíza Erundina, que assegura a representação da mulher na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, são questões que unificam as mulheres.

Apesar de existir dispositivos legais, como as Leis 9.100/95 e 9.504/97, que tratam da política de cotas, na prática, fala a nova coordenadora, são preceitos ignorados pelas agremiações partidárias. A deputada acha que, com ação unificada e firme nas decisões da reforma política que se anuncia, isso pode ser resgatado. “Queremos ainda conquistar nesta Casa estrutura física e funcional para dinamizar e dar visibilidade ao trabalho da Bancada Feminina”.

No final do seu discurso, a parlamentar, agradeceu “às companheiras deputadas pela confiança com que me honraram na escolha para a Coordenação da Bancada Feminina e saúdo a deputada Sandra Rosado [PSB-RN], parabenizando-a pelo exemplar desempenho que teve na frente desta coordenação”.