A deputada Alice Portugal tentou de todas as formas impedir a tramitação apressada e sem maiores debates deste projeto nocivo aos interesses públicos e prejudicial aos servidores. Todos os instrumentos regimentais, como audiências públicas, requerimentos, questões de ordem, reclamações, voto em separado, foram utilizados pela deputada seja para forçar a ampliação do debate sobre esse tema controverso, seja para impedir sua rápida aprovação.

Logo que o projeto chegou à Câmara, a deputada Alice Portugal requereu que o projeto fosse analisado também à Comissão de Educação e Cultura, vez que seu texto incluía áreas temáticas sobre as quais a comissão deve ser ouvida. Todos os pedidos nesse sentido foram rejeitados. Em seguida, ela requereu que o projeto fosse debatido em audiências públicas e conseguiu que, só na Comissão de Trabalho fossem realizadas três concorridos debates, nos quais ficou claro que a aprovação da proposta significaria um cheque em branco dado pelo Legislativo aos governos, que poderiam criar fundações conforme suas conveniências.

Em todas as discussões sobre o projeto, a deputada Alice Portugal deixou clara sua posição contrária à inclusão de áreas que exercem funções de Estado entre aquelas onde poderiam ser criadas fundações estatais e contrária a um dos objetivos centrais da proposta, que é o de substituir os servidores do quadro efetivo por celetistas.

A parlamentar lembra que a proposta do projeto de lei foi pensado inicialmente como forma de se resolver problemas da área de saúde, mas que terminou seduzindo outras áreas, chegando absurdo do substitutivo da comissão de Trabalho permitir a criação de fundação estatal para áreas como ensino e pesquisa, formação profissional, cultura, desporto, hospitais universitários, ciência e tecnologia, assistência social, turismo, meio ambiente e cooperação técnica internacional. E é esse substitutivo que corre o risco de ser votado pela Câmara caso não se construa um movimento contrário à proposta, adverte a deputada Alice Portugal.