Desde as cinco horas da manhã desta terça-feira (21) começaram a chegar a Brasília, as 50 mil mulheres trabalhadoras que vêm de todos os estados brasileiros participar da Marcha das Margaridas. Segundo as organizadoras, ''a luta das trabalhadoras rurais pelos seus direitos, por igualdade de gênero e contra a violência sexista é permanente, mas agora ela se intensifica numa mesma voz, através da mulheres reunidas novamente para a Marcha das Margaridas 2007''.
A cada quatro anos, elas se reúnem em Brasília, para, em meio a uma grande manifestação na Esplanada dos Ministérios, fazer denuncia das condições da vida do campo, debater os temas prioritários para o desenvolvimento com igualdade de gênero e apresentar e negociar com os poderes constituídos – as propostas que trazem.
''A Marcha das Margaridas busca dar visibilidade à mulher rural, à quebradeira de babaçu, às mulheres da floresta… É a voz simples que se organiza por reforma agrária, ampla e massiva, por terra, água e agroecologia'', disse a coordenadora da Comissão Nacional de Mulheres e vice presidente da CUT, Carmen Foro.
Elas vem inspiradas na luta da ex-líder sindical, Margarida Maria Alves – que deu nome à Marcha – assassinada em 1983, na porta de sua casa, por latifundiários do Grupo Várzea, na cidade de Alagoa Grande, Paraíba.
Exemplo de luta
Margarida Maria Alves era Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba, e fundadora do Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural. Ela obteve grande destaque na região por incentivar os trabalhadores rurais a buscarem na Justiça a garantia dos seus direitos protegidos pela legislação trabalhista.
A líder sindical promovia campanhas de conscientização com grande repercussão junto aos trabalhadores rurais que, assistidos pelo Sindicato, moviam ações na Justiça do Trabalho, para o cumprimento dos direitos trabalhistas, como carteira de trabalho assinada, 13º salário e férias.
À época do assassinato de Margarida Alves, foram movidas 73 reclamações trabalhistas contra engenhos e a Usina Tanques. Um fato inusitado, em função da então incipiente democracia brasileira, e que gerou grande repercussão. Em conseqüência disso, Margarida Alves passou a receber diversas ameaças. Eram “recomendações” para que ela parasse de criar “caso” e deixasse de atuar no Sindicato dos Trabalhadores Rurais.
Em seu último discurso, registrado em fita cassete, Margarida denunciou as ameaças que vinha sofrendo e disse que preferiria morrer lutando a morrer de fome.