Veja a íntegra do discurso:

 

Sr. Presidente, estive na abertura dos jogos Pan-Americanos. De fato há alguns deputados aqui, especialmente o prócere do carlismo na Bahia, que entendem bastante de vaias, principalmente depois que perderam a mamata que era ter o Governo do Estado em suas mãos há mais de 30 anos.

No entanto, a vaia a que assisti de uma nesga, de uma pequena fatia, do lindo Maracanã reformado, foi uma vaia absolutamente pontual, ali centralizada, a mesma que aplaudiu a bancada e a delegação americana obviamente creio que cabe aplaudir a todas, porque não são os jovens americanos os responsáveis pelos desatinos daquele que se julga o xerife do mundo, o Sr. George Bush , mas aquela que efetivamente estava ali para conduzir um aplauso aos segmentos que representassem a direita lamentavelmente ainda presente em instituições e na política nacional.

Isso foi visível. Como vi, tenho certeza de que a imprensa viu.

Porque o Maracanã, que aplaudiu efusivamente a abertura dos Jogos, é evidente que não está alheio, em função de ser o público carioca um público refratário a aplausos, como diria Nelson Rodrigues, que vaia até minuto de silêncio, mas não está ausente em compreender que esse foi o maior investimento da história do esporte brasileiro.

O Ministério dos Esportes fez um trabalho exemplar. É um dos Ministérios que têm o menor orçamento da Esplanada, mas com apoio do Governo Federal ele soube investir na hora certa em equipamentos permanentes, que serão sem dúvida molas propulsoras para o desenvolvimento esportivo nacional.

Não é um problema de fair play, é um problema efetivo de se desconstruir qualquer trabalho. O ex-Presidente Fernando Henrique estava acostumado com vaia por onde passava. Mas objetivamente é uma atitude segmentada, encomendada, pontual, dentro daquele circuito. Estávamos lá e vimos. Sem dúvida alguma, isso reflete a contenda que está estabelecida na política nacional, onde não se observam instituições, investimentos, onde a terra arrasada é a política de muitos.

Estou a cavaleiro para falar sobre essa questão, porque tenho tido uma atitude de independência e ousadia, conforme indicam as opiniões do meu partido. Então, apóio e critico o Governo Lula, e criticarei no objeto da fundação estatal, onde se tiram verbas públicas para estruturas privadas. Não posso concordar com o projeto na forma como está vindo para esta Casa.

No entanto, tenho que protestar contra a atitude sectária e irresponsável, que não observou a necessidade de exposição do País no continente, as suas expectativas turísticas, esportivas, de imagem no interior. E tomou-se da sua visão belicosa da política ali da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro para se tentar dar um a zero. Mas desta vez o povo, assim como ocorreu em duas eleições, deu de goleada na direita.

Muito obrigada, Sr. Presidente.