A socióloga Montserrat Sagot, de Costa Rica, disse que o país adotou em 1996 uma lei de cotas, garantindo no mínimo 40% dos cargos eletivos para cada sexo. Ela ressaltou as dificuldades para alcançar esse índice. "Somente em 2006, ou seja, dez anos depois, conseguimos chegar a 39%. Não adianta prever cotas de um número qualquer – os partidos têm de garantir cotas a partir de uma margem de candidatos que terão condições de eleger, senão ficará irreal", disse.
A representante de Ruanda no Parlamento Pan-Africano, deputada Juliana Kantengwa, salientou a evolução dos direitos femininos no país. Apenas desde 1999 as mulheres têm direito de herdar propriedades quando seus pais morrem. Já o direito à posse de terras, independentemente de herança, só foi garantido em 2003, um ano antes das eleições que asseguraram às mulheres 48,8% das vagas de deputados e 36% das vagas de senadores.
Já a cineasta e ativista Suha Barghouti informou que as mulheres, em 2006, ocuparam pela primeira vez um número expressivo de cadeiras no Parlamento da Palestina, que tem 41 mulheres – o que representa 17% das cadeiras. Nas prefeituras, segundo ela, foram eleitas três mulheres.
Situação no Brasil
A pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (Neim) Ana Alice Costa disse que a participação política feminina no Nordeste é mais expressiva do que nas outras regiões. Segundo ela, enquanto no Congresso a representação feminina não alcança 10%, no Nordeste ela atinge 12% no âmbito estadual e 14% no municipal. "Mas isso não significa que as nordestinas são mais progressistas, porque ainda há muito patriarcado nas relações políticas", alertou.
Segundo a coordenadora do Projeto Mulher e Democracia/Casa da Mulher do Nordeste, Elizabeth Severien, não se pode esquecer que, em muitos lugares do Nordeste, faltam educação e empregos, "e a única oportunidade que as mulheres têm é de se candidatar a cargos públicos".
Fonte: Agência Câmara