Para a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) esta "é uma iniciativa que o PCdoB toma após se transformar em uma das forças que mais contribui na construção de uma plataforma de luta pela igualdade de gênero".
"A participação da União Brasileira de Mulheres e do pensamento comunista nas vitórias das mulheres é inegável, mas chega um momento que é preciso fazer valer estas conquistas. O Brasil tem um arcabouço legal importante, mas os índices de violência doméstica contra a mulher, a baixa participação política e a discriminação no mundo do trabalho atestam que é preciso construir um novo pacto das responsabilidades domésticas entre homens e mulheres, além da busca indispensável da presença do Estado na garantia de equipamentos públicos que cumpram papel neste pacto, como as creches, e na implementação de políticas públicas para dar suporte à luta pela igualdade" reafirmou a deputada Alice Portugal.
O significado da luta pela igualdade de gênero foi abordado principalmente por Liége Rocha ao sintetizar as idéias centrais do documento-base em debate na Conferência. Para ela, a emancipação da mulher tem a ver com a emancipação humana e não pode ser vista separadamente. Referindo-se ao documento em debate, Liége falou sobre a relevância estratégica da luta pela igualdade de gênero na luta pela emancipação social e lembrou que as mulheres são mais da metade da população mundial.
O tema ''Trabalho e divisão sexual do trabalho doméstico: tensões e desafios para a igualdade de gênero” foi desenvolvido por Clara Araújo. O foco da exposição foi a articulação entre o trabalho pago e o trabalho doméstico e os desafios que se apresentam a partir disso para o que ela chamou de “projeto emancipatório” das relações sociais, dos homens e das mulheres. Para Clara , as mulheres aumentaram a sua participação no trabalho pago, mas não estão emancipadas. Além disso, ela registra que o trabalho doméstico continua sendo feito prioritariamente pelas mulheres, embora pesquisas revelem maior participação dos homens nesse tipo de trabalho.
Num momento que despertou grande interesse, Clara Araújo defendeu criar condições para a “domesticidade compartilhada” e relacionou isso a algumas medidas, como por exemplo, a necessidade de defender a redução da jornada de trabalho também para que os homens e as mulheres possam compartilhar igualitariamente o tempo da vida social, familiar e pessoal.
Muitas mulheres destacadas do PCdoB participaram do evento, entre elas a vereadora Aladilce Souza e a prefeita de São Sebastião do Passé, Tânia Portugal e gestoras da administração estadual do PCdoB e de outras correntes políticas.
Liége Rocha, da comissão organizadora nacional da Conferência, avaliou que “o evento se destacou pelo número de pessoas presentes, pelo importante debate e pela representatividade política, contando com a participação de mulheres de vários segmentos sociais, de outras correntes políticas como a Superintendente Especial de Políticas para as Mulheres, Maria Helena Souza, a secretária de Política para Mulher do município de Lauro de Freitas, Terezinha Barros, representantes do PV e do PT. Esse fato demonstra que a Conferência na Bahia conta com a contribuição também desses setores”.
De acordo com Julieta Palmeira, da direção estadual do PCdoB, o evento abre uma série de atividades preparatórias que ocorrerão no Estado rumo à plenária estadual no dia 18 de março, envolvendo lançamento das teses em nove regiões do Estado e a realização de plenárias municipais.