Líder Alice homenageia os trabalhadores durante sessão solene – Foto Richard Silva
 
 
A líder do PCdoB na Câmara, deputada Alice Portugal (PCdoB/BA), participou na manhã desta quinta-feira (04) da Sessão Solene na Câmara dos Deputados para homenagear os trabalhadores e as trabalhadoras. A celebração virou ato em defesa da democracia e contra os desmontes trabalhistas e previdenciários. No evento, a líder lamentou o avanço das ações do governo e lembrou que o Brasil sente hoje o resultado do golpe que tirou Dilma Rousseff da Presidência da República.
 
“Sentimos a alma do golpe com essa empreitada contra os trabalhadores e contra a Justiça do Trabalho, que foi enfraquecida com a Reforma Trabalhista aprovada na Câmara. Estamos vivendo tempos de retirada de direitos, mas não vamos nos calar. Comemorar este Dia do Trabalho e dos trabalhadores é continuar dizendo não às perdas de direitos e lutar para impedir que essas propostas avancem”, disse.
 
O deputado Assis Melo (PCdoB/RS), um dos autores do pedido da sessão, lembrou da votação da Reforma Trabalhista, quando se vestiu de soldador e causou espanto no Plenário da Câmara. O parlamentar, que é metalúrgico, tentava chamar atenção aos prejuízos que o então PL 6787/16, já renumerado no Senado (PLC 38/17), gerará aos trabalhadores caso vire lei. “Vivemos tempos de ameaça à democracia. O trabalho causa espanto nesta Casa. Nos censuram. Não podemos permitir que eles avancem. A greve geral mostrou a força do povo. As manifestações precisam continuar. Precisamos de uma frente ampla em defesa da soberania da nossa nação”, afirmou Assis Melo.
 
O parlamentar criticou ainda o Projeto de Lei (PL) 6442/16, do tucano Nilson Leitão (MT), que prevê o pagamento do trabalhador rural com casa e comida. As propostas, listadas em 166 artigos, preveem ainda jornada de até 12 horas diárias "ante necessidade imperiosa ou em face de motivo de força maior"; interrupção do repouso semanal por até 18 dias ininterruptos de trabalho e, ainda, venda das férias para o funcionário que residir no local de trabalho.
 
“Olha a que ponto chegamos? Que tipo gente propõe um projeto desses? Que futuro queremos dar ao nosso povo?”, indagou Assis Melo.
 
Enquanto o parlamentar criticava a proposta, num canto do Plenário, Nilson Leitão tentava convencer três deputados da importância e da necessidade do seu texto. “Estamos regulando ações que já acontecem no campo. Isso irá barrar as inúmeras ações que existem hoje”, disse o deputado ao trio. Com o projeto, o tucano quer na verdade regulamentar o trabalho escravo ainda encontrado no país e acabar com as ações e indenizações cobradas em propriedades que utilizam este tipo de mão de obra ilegal.
 
Durante a sessão solene, foram feitas diversas falas em repúdio às ações do governo de Temer e de sua base. Deputados do PT, Psol, PDT se revezaram em defesa dos trabalhadores. Uma fala, porém, destoou. O peemedebista Hildo Rocha (MA) usou seu tempo para defender as reformas de Temer e criticar as ações do governo de Flávio Dino. O parlamentar saiu vaiado e com um sonoro “Fora Temer” entoado pelos presentes.
 
Confira a íntegra do discurso da líder Alice na sessão: 
 
 
 
 
Texto: PCdoB na Câmara, com adaptações