Foto: Américo B. Barros
 
 
A deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA), autora da indicação que pretende transformar o Carnaval de Salvador em patrimônio imaterial da nação, preparou uma agenda para participar das mais diferentes expressões da festa, durante toda essa semana. No segundo dia de folia, nesta quinta-feira (04/02), Alice participou da festa de abertura do Camarote Universitário. A parlamentar analisou a organização feita pela Prefeitura e teceu críticas ao modo como o evento tem sido concebido.
 
Para Alice, apesar da campanha feita pela gestão municipal para fazer crer que foi preparado um carnaval de rua, a privatização ainda é uma constante no carnaval deste ano. Ela citou, por exemplo, o monopólio de uma marca de bebidas nos circuitos, de iniciativa da atual gestão, o que a deputada considera uma extrapolação de todos os limites de atuação do poder público sobre a liberdade de escolha do cidadão.
 
A significativa presença dos camarotes privados nos espaços públicos também foi criticada por Alice. “Na verdade, a Prefeitura de Salvador organizou um carnaval empresarial, onde o cidadão é obrigado a estar espremido entre os camarotes privados e, acima de tudo, até a consumir a bebida que a ela indicar. O folião não tem o direito de escolher, e esse não é o carnaval de rua que ele [o prefeito] pretendeu organizar”, afirmou.
 
Pré-candidata do PCdoB a prefeita da capital baiana, Alice defendeu a urgência de um debate sobre um novo modelo de carnaval, de modo a propiciar que toda a cidade ganhe com a maior festa de rua do planeta. “É preciso construir um projeto de economia criativa, que faça com que mais soteropolitanos gerem emprego e ganhem dinheiro no carnaval. A festa é uma atração para turistas, mas poucos da cidade é que auferem lucro. São poucas empresas, que já são fortes economicamente”.
 
Carnaval nos bairros
A descentralização do Carnaval, dos circuitos tradicionais (Barra/Ondina e Campo Grande) para outros pontos da cidade, também foi tratada por Alice. Ela avaliou que as poucas festas realizadas nos bairros têm sido feitas de modo a reforçar a concentração porque “os bairros são atendidos com as atrações que não possuem grande visibilidade na mídia”.
 
Para Alice, o olhar para a cidade precisa ser outro. “É preciso que o foco social seja colocado na ordem do dia em Salvador, também no carnaval, para atender à diversidade, à multiplicidade de classes sociais que formam esse mosaico que é a nossa cidade”, defendeu.
 
Patrimônio imaterial
A parlamentar comunista protocolou na Câmara de Deputados, no início da atual legislatura, uma indicação destinada ao Ministério da Cultura, para que o Carnaval de Salvador seja reconhecido como patrimônio imaterial, como já acontece com o Frevo, em Pernambuco. Alice espera, otimista, pela aprovação da proposta, que, segundo ela, encherá de orgulho o povo brasileiro.
“Que o povo tenha orgulho dessa construção cultural, que é o carnaval, na sua diversidade, com seus blocos afro, de índios, das bandinhas, do Pelourinho e dos bairros, do trio elétrico. Essa é a festa mais democrática e, por isso mesmo, precisa ser tombada como patrimônio imaterial da nação brasileira”, finalizou a deputada.
 
Texto: Erickson Walla/PCdoB Bahia
 
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