A deputada relatou que na última sexta-feira (18), um passageiro do Voo 5348, da Trip Linhas Aéreas, que partia de Belo Horizonte com destino a Goiânia (GO), com escala em Palmas (TO), recusou-se a decolar ao saber que o voo estava sob o comando de uma mulher. “O incidente ocorreu em um jato Embraer 190 e segundo passageiros que estavam na aeronave, o homem, de aproximadamente 40 anos, teria se rebelado contra o fato do avião ter uma mulher como comandante”.  Alice classificou o episódio como “inusitado e grotesco”.

“Felizmente o desfecho do lamentável episódio foi positivo”, por isso, a parlamentar fez questão de registrar na tribuna da Casa o ocorrido, informando que “o passageiro em questão terminou expulso do avião e foi obrigado a acompanhar agentes da Polícia Federal, debaixo de vais, até o saguão do aeroporto”.

Sobre o episódio, a companhia Trip disse que todas as suas funcionárias "são devidamente treinadas e qualificadas para desempenhar suas funções" e que "não tolera comentários ou atitudes preconceituosas que constranjam seus funcionários ou passageiros, sob qualquer justificativa".

A deputada cumprimentou a comandante Betânia e toda a tripulação, como também, a direção da Trip Linhas Aéreas pela “atitude correta praticada pela companhia”. Parabenizou também os passageiros do avião que se solidarizaram com a comandante.

Destacou ainda que o “episódio de Belo Horizonte serve de lição aos preconceituosos e é uma confirmação de que cada vez mais a mulher conquista mercados de trabalho antes dominados pelos homens”.

COMPETÊNCIA IGUAL

Dados da Anac indicam que o céu ainda é espaço predominantemente masculino. Do total de licenças válidas até 2010, a minoria tinha mulheres como titulares (0,8%), enquanto os homens somavam 14.282 renovadas. Somente 163 licenças estavam válidas para as comandantes.

Segundo Evaristo de Paula, diretor nacional de marketing e vendas da Trip, empresa que conta em seus quadros com 1,5 mil mulheres, a empresa apoia "a decisão da comandante Betânia e inclusive encorajaria que ela se posicionasse publicamente a respeito do ocorrido, pois ajudaria a quebrar preconceitos que ainda possam existir em relação às mulheres em pleno século 21”, afirma.

Segundo a Anac as mulheres têm a mesma formação, a mesmas horas de voo e a mesma capacitação que um homem. "Nenhuma empresa aérea contrataria uma profissional inabilitada, colocando centenas de pessoas em risco”, destaca Daiane Félix da Silva, de 26 anos, que faz o curso de comissária de bordo e sonha em ser piloto de avião. Segundo ela, que vai passar o próximo fim de semana em treinamento na selva, o nível de exigência é alto. “Do início ao fim do curso, é cobrada a segurança em primeiro lugar.” Para se tornar piloto de linha aérea, é necessário comprovar pelo menos 1,5 mil horas de voo.

Com informações do Jornal Estado de Minas