Alice acusou a grande mídia de fabricar mais uma crise artificial, inclusive dando voz a expoentes da ditadura, para tentar desgastar o ministro Tarso Genro e o governo Lula. “Colunistas conhecidos, que há pouco tempo ainda se perfilavam nas fileiras dos combatentes do regime militar, passam a enaltecer manifestações de nítido viés autoritário, como as ocorridas no Clube Militar, e se esquecem propositadamente que muitos brasileiros foram torturados e mortos pelo simples fato de serem opositores ao regime de exceção, sem nunca terem tocado numa arma, a exemplo de Manoel Fiel Filho e Vladimir Herzog. Esquecem-se que muitos outros brasileiros, estudantes e trabalhadores que eram jovens demais para serem considerados como uma ameaça ao Estado, foram presos, espancados e submetidos aos mais cruéis suplícios”, ressaltou a parlamentar.

Ela registrou o que disse ser uma grata exceção na grande mídia e reproduziu trechos da coluna de Jânio de Freitas, publicada na Folha de São Paulo de 12 de agosto último: “… Nas distorções feitas de má-fé, os ministros Paulo Vannuchi e Tarso Genro passam como proponentes de mudança e até de anulação da Lei de Anistia. O que fazem é uma interpretação jurídica da lei, considerando-se incapazes de anistiar a tortura, que não é crime político, é crime comum inclusive pela legislação penal vigente na ditadura. É inverdadeiro, também, que Tarso Genro ‘ameaça a toda hora botar militares envolvidos com tortura no banco dos réus’. Nem teria como fazê-lo, mesmo no caso de sua tese prevalecer. As próprias deformações deliberadas, porém, atestam que o assunto é sério…”.

A deputada citou ainda o manifesto assinado por mais de cem juristas, advogados, juízes e promotores de todo o país, em apoio à decisão do Ministério da Justiça, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos e do Ministério Público Federal de discutir a possibilidade de que civis e militares possam ser processados pela prática de tortura durante a ditadura militar.

A parlamentar do PCdoB manifestou sua solidariedade ao Ministro Tarso Genro e ao Secretário Paulo Vannuchi e reafirmou seu apoio à luta para punir os crimes hediondos praticados nos porões da ditadura por militares e policiais torturadores. Apelou ainda ao Presidente Lula para que assegure a abertura dos arquivos do regime militar e permita aos familiares dos mortos e desaparecidos da ditadura obterem informações sobre as circunstâncias das mortes de seus entes queridos e o paradeiro de seus corpos.