“Na busca pelo primeiro emprego e uma renda fixa, jovens se submetem aos baixos salários e ao sistema de controle rigoroso do trabalho, onde o não cumprimento de metas significa a demissão sumária. Por outro lado, são também comuns no setor as demissões em massa, de forma arbitrária, já que essas empresas funcionam baseadas numa política de rotação periódica de trabalhadores, até mesmo para se livrarem de encargos trabalhistas maiores”, denunciou a deputada.

Alice mostrou que, contra as empresas de telemarketing as reclamações mais freqüentes tratam de questões como assédio moral (humilhação no local de trabalho), doenças ocupacionais, desrespeito às pausas obrigatórias na jornada de trabalho, rígido controle de tempo, além de cobrança excessiva por horas-extras e produtividade.

A parlamentar citou estudo feito pela professora Selma Venco, da Unicamp, que enumera dados e informações alarmantes sobre a exploração sofrida pelos trabalhadores em telemarketing. O estudo mostra que as empresas do setor optam por contratar jovens, de baixa renda, em sua maioria mulheres, além de teleoperadores negros, homossexuais, transexuais e obesos que teriam dificuldades na procura de outros empregos. Esta escolha, revela o estudo da professora Selma Venco, tem o propósito claro de aumentar a exploração do trabalhador e submetê-lo a condições indignas de trabalho.

Ao fazer as denúncias, a deputada Alice Portugal comunicou haver apresentado requerimento à Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados pedindo a realização de Audiência Pública para discutir as condições de trabalho dos trabalhadores em telemarketing e a regulamentação desta atividade que é uma das que mais crescem no mundo.