Para uma platéia atenta, José do Nascimento Júnior falou da importância dos museus para o desenvolvimento da sociedade, pois apenas através do conhecimento do nosso passado é possível entender as mudanças da atualidade e planejar intervenções futuras. Nascimento Júnior aposta na educação como forma de reduzir os roubos de arte. “Investir na segurança não tem haver só com equipamentos, mas também com a educação. Quanto mais a população conhece um museu, mais seguro ele é, pois as pessoas entendem o valor do que está lá exposto e se unem para garantir a preservação do acervo. Precisamos incentivar a visita aos museus, principalmente entre os jovens”, declarou.

O diretor afirmou ainda que o IPHAN está trabalhando para preservar os museus, mas a tarefa esbarra na escassez de recursos. “Precisamos de dinheiro para catalogar os acervos, modernizar e investir na segurança dos museus. É inconcebível que aconteçam furtos como os do Museu de Artes de São Paulo (MASP), onde obras valiosíssimas foram levadas com facilidade. Esta foi só mais uma prova da vulnerabilidade destas instituições. Infelizmente este não foi um caso isolado e novos roubos acontecem todos os meses. Estamos buscando reverter o quadro, mas precisamos avançar bem mais”.

CPI e Estatuto

Se depender da deputada federal Alice Portugal estes avanços acontecerão em breve. A parlamentar baiana apresentou na Câmara Federal um pedido para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de apurar os roubos nos museus brasileiros. A CPI, aprovada por unanimidade na Comissão de Educação e Cultura, está aguardando a abertura da pauta do Congresso para ser votada em plenário, com grandes chances de aprovação. “A CPI é importante não só para apurar a responsabilidade sobre os furtos, mas também para colocar na pauta de discussão este tema tão importante, mas que não tem por parte das autoridades competentes a atenção necessária”, ressaltou.

Alice Portugal foi relatora do projeto de criação do Estatuto de Museus, que estabelece normas de preservação, conservação, restauração e segurança dos bens culturais, além de definir as pesquisas e as ações educativas a serem desenvolvidas pelos museus. “O Estatuto tornaria o roubo de obras de artes crime inafiançável e não apenas contra o patrimônio como é definido atualmente. Isto iria coibir o crime, que é o terceiro mais rentável no mundo, perdendo apenas para o comércio de armas e drogas ilícitas. A Bahia seria extremamente beneficiada por esta mudança, já que é um dos recordistas nacionais em roubos deste tipo”, concluiu.

O debate foi parte das atividades da  Semana Nacional de Museus. O evento contou ainda com a presença do diretor geral da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima, do diretor da Escola de Belas Artes da UFBA, Roaleno Costa, da coordenadora de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), Ana Liberato, da coordenadora do Museu da Cidade da Fundação Gregório de Mattos, Petinha Barreto, além das vereadoras por Salvador, Aladilce Souza e Olívia Santana.

 

De Salvador, Eliane Costa