Em seu discurso, Alice situou o contexto e as circunstâncias em que se deram as afirmações do ex-deputado Haroldo Lima sobre o assunto, destacando que ele participava de um seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas sobre Petróleo e Gás, num recinto fechado, para um público especializado, quando levantou a hipótese, já conhecida por todos que daquele seminário participavam e publicada na edição de fevereiro de 2008 da revista Word Oil, de a Petrobrás ter descoberto um mega-campo que, se confirmadas as expectativas, viria ser a maior descoberta de petróleo dos últimos 30 anos.

Alice Portugal denunciou objetivos escusos por trás dos ataques desferidos contra Haroldo. “Apesar dos fatos já serem de conhecimento de todos que participavam do seminário, inclusive de colunistas de grandes jornais que ali estavam, a grande mídia ppreferiu desferir furiosos ataques a Haroldo Lima, tentando responsabilizá-lo pela especulação com ações da Petrobrás na Bolsa de Valores”.

A deputada citou artigo do jornalista Jean-Paul Prates, publicado em seu Blog no Globo Online, que diz: “A declaração aparentemente atabalhoada de Haroldo Lima sobre as reservas da Bacia de Santos na verdade nada tem de exagerado ou equivocado. Ela não foi uma declaração formal de descoberta, e sim um vaticínio por parte de quem tem elementos para emiti-lo, com todas as ressalvas de informalidade presentes na mesma frase. Dados e estimativas sobre o pré-sal brasileiro pululam em artigos técnicos mundo afora, a maioria deles assinados por geólogos e engenheiros da própria operadora Petrobras. Haroldo Lima não exacerbou ao dizer isso, ao contrário do que certamente fazem os oportunistas que agora chegam a pedir sua cabeça. O mercado financeiro está cheio de advogados e analistas loucos por "um pé" para aparecer no mercado do petróleo – e uma chance destas é ouro para uma saraivada de extremismos ostensivos. A inocência de Haroldo Lima foi acreditar que o mercado brasileiro deveria saber o que o mercado mundial já vinha lendo aqui e ali. Manifestou otimismo em relação a uma bacia efetivamente promissora do Brasil”.

Alice Portugal acusou a jornalista Mirian Leitão de comandar os ataques ao diretor-geral da ANP. Mirian Leitão, como todos sabem, é ferrenha crítica do governo Lula e apaixonada defensora das políticas neoliberais implementadas pelo governo FHC, inclusive da completa privatização da Petrobrás. Seus ataques a Haroldo Lima ultrapassaram todos os limites, chegando ao ponto de dizer que ele não tinha qualificação para dirigir a ANP e que precisava ser demitido. Ela é daquelas profissionais que você nunca sabe ao certo se informa ou se faz negócios com suas aparições nos jornais e na TV. Nunca sabe se o que está escrito é informação nova ou matéria de interesse de clientes aos quais assessora ou dá consultoria. Porém, uma coisa fica sempre patente nas performances desta jornalista: nada do que ela fala ou escreve sobre economia ou política é bom para o povo e o país”, afirmou Alice.

Para a deputada do PCdoB, os ataques a Haroldo Lima e ao governo foram motivados pelo simples fato de não admitirem que a Petrobrás esteja obtendo tanto sucesso no governo do Presidente Lula, conquistando a auto-suficiência em petróleo, obtendo lucros fantásticos, se firmando como uma das maiores, mais importantes e mais promissoras empresas de petróleo do mundo e, de quebra, descobrindo novos campos de petróleo.

Outro motivo dos ataques da grande mídia a Haroldo Lima, prosseguiu Alice, está relacionado à sua posição de defesa da retirada dos blocos da área pré-sal do litoral brasileiro das novas licitações na ANP. Tal posição contrariou interesses de poderosos grupos econômicos, que cobiçam exatamente as áreas onde as pesquisas da Petrobrás detectaram a possibilidade da existência de petróleo e que não aceitam que estas áreas tenham regras específicas e diferenciadas como defende Haroldo.

Ao concluir seu discurso, a deputada afirmou que Haroldo Lima tem qualificação para dirigir a ANP, conhece o mundo do petróleo e, em seus 20 anos de mandato de deputado federal, participou de todos os debates, comissões, seminários, negociações e tudo mais que envolveu a Petrobrás e o monopólio estatal do Petróleo. À frente da ANP, tem conduzido de forma competente a licitação de novos campos de petróleo, combatido com rigor as máfias dos combustíveis e contribuído para a formulação das políticas de petróleo e gás do país. Os ataques a ele visam exatamente descredenciá-lo como um interlocutor na formulação de novas políticas de petróleo e gás que levem em conta a nova realidade do país e do mundo, mas que sejam consoantes com os interesses nacionais, afirmou a parlamentar.